Pesquisa gera abordagem norteadora sobre inclusão produtiva
Iniciativa está voltada em promover a emancipação profissional de pessoas em situação de vulnerabilidade
A tese com o título “Políticas e gestão da inovação na educação profissional e tecnológica para inclusão produtiva no Brasil” gera abordagem batizada como S³ (ésse ao cubo), sustentada nas dimensões social, situada e singular, para promover emancipação profissional de pessoas jovens (15 a 29 anos) em situação de vulnerabilidade, que não estudam e nem trabalham e são 10,9 milhões do Brasil.
Deste contingente, 61% vivem em situação de extrema pobreza e vulnerabilidade crônica. O perfil sociodemográfico mostra que o rosto da exclusão é majoritariamente de mulheres negras, moradoras de periferias. No desenvolvimento dos estudos, tais dados foram associados às politicas que permeiam inovação, educação profissional tecnológica (EPT) e inclusão produtiva.
Elaborada no conceito de pesquisa multipaper, mediante a produção de quatro artigos, a tese preenche lacuna na literatura indexada em base de dados sobre como gestores de EPT podem mediar a inovação e favorecer a inclusão produtiva da população jovem brasileira. A autora Renata Benisterro Hernandes analisou pressupostos políticos, teóricos e práticos relacionados à EPT para propor abordagem de gestão e inovação.
Os quatro artigos
O artigo 1 tratou da inovação na educação profissional e tecnológica brasileira para inclusão produtiva de jovens no mercado de trabalho. O artigo 2 recebeu o título “Políticas públicas e inovação na educação profissional e tecnológica: indução normativa e inclusão produtiva”. Para o artigo 3, o título foi “Sistema de gestão da inovação no Senac/SP: práticas situadas na educação profissional e tecnológica.
O artigo 4, “A abordagem S³: gestão para a inovação social em educação profissional e tecnológica”, tratou de sistematizar práticas e propor a abordagem de gestão transferível, para promover a autonomia e inserção digna; considerando a precarização do trabalho ofertado para o jovem em estado de vulnerabilidade. A S³ tem foco social no sujeito e o saber; em situar o contexto territorial e reconhecer as singularidades.
Em meio aos dados apresentados à banca de defesa pública da tese, na manhã desta quarta-feira (30) junto ao Programa de Pós-graduação em Educação (PPGE) no campus 2 da Unoeste em Presidente Prudente, a autora expôs, com objetividade, clareza e riqueza de detalhes que na aplicação da abordagem S³ o risco de não dar certo é se alguma dimensão (social, situada e singular) for quebrada.
Mudanças das estruturas
Conforme descobertas da tese, a abordagem S³ demonstra que a verdadeira inovação social reside nas mudanças das estruturas de poder e na dignidade. Portanto, não somente por conta de inovações tecnológicas. É capaz de promover a transformação do estudante-recurso adaptável ao mercado de trabalho, em sujeito histórico e crítico com real soberania profissional.
A inovação como adorno tecnológico, fetiche e marketing institucional salta para a inovação como ferramenta transformadora e justiça cognitiva. A inclusão deixa de ser mera estatística normativa de empregabilidade (sistema de cotas e auditoria) para gerar inclusão como expansão de capacidade e emancipação existencial, conforme preconiza o escritor francês Amartya Sem, sobre o bem-estar de conseguir fazer.
A síntese final da tese, conforme a própria autora, é de que a abordagem S³ comprova empiricamente ser possível inovar e humanizar redes capilares de educação profissional tecnológica no Brasil; considerando a gestão da inovação como ato ontológico, amoroso e esperançoso; que salta da resistência burocrática para a soberania do sujeito. Portanto, do estudante-recurso ao sujeito que assume o comando de sua vida.
Contribuição valorosa
Bem estruturada científica e metodologicamente, original e de contribuição inédita para o avanço do conhecimento em inclusão produtiva, a tese contou, em sua elaboração, com a orientação da professora doutora Elisa Tomoe Moriya Schlünzen, coordenadora do PPGE, pelo qual a Unoeste oferta mestrado, doutorado e pós-doutorado. A banca examinadora teve duplo caráter de critérios relevantes avaliados pelo Ministério da Educação: interinstitucional e internacional.
Os avaliadores internos foram a Dra. Carmem Silvia de Souza Lima e o Dr. Sidinei de Oliveira Sousa; sendo os externos a Dra. Roseneide Maria Batista Cirino, da Universidade Estadual do Paraná (Unespar); e Dra. Daniela Melaré Vieira Barros, da Universidade Aberta de Portugal UAb). Professora e com formação inicial em Ciência da Computação, Renata foi aprovada para receber o título de Doutora em Educação.
Notícia disponibilizada pela Assessoria de Imprensa da Unoeste