Projeto de Medicina conquista prêmio de extensão
Iniciativa coordenada pela professora Maíra Barreto Malta orienta gestantes sobre desenvolvimento infantil e prepara futuros médicos para a promoção da saúde
Um projeto de extensão do curso de Medicina da Unoeste Guarujá conquistou o primeiro lugar no Prêmio Área Ciências da Saúde, durante os Prêmios da Extensão da 7º Unoeste Solidária. Coordenada pela professora doutora Maíra Barreto Malta, a iniciativa Promoção do desenvolvimento infantil: estratégias de estimulação desde a gestação prepara estudantes para orientar gestantes sobre práticas cotidianas que favorecem o desenvolvimento das crianças.
“Receber o primeiro lugar no Prêmio Unoeste Solidária é uma alegria enorme e um reconhecimento muito especial para toda a equipe”, afirma Malta. A professora explica que o projeto nasceu de uma necessidade identificada na Pesquisa Coorte Guaru-yá e se transformou em uma iniciativa de extensão que conecta a formação dos estudantes à promoção do desenvolvimento infantil.
O trabalho é realizado em parceria com o Cinco Básicos Brasil e, por meio da Liga Acadêmica de Saúde Coletiva (LASC), leva ações de educação em saúde às unidades de atendimento pré-natal. A proposta aproxima os conhecimentos científicos da realidade das famílias e amplia a formação dos futuros médicos sobre o cuidado na primeira infância.
A docente também vê na premiação um incentivo à continuidade do projeto. “Receber esse prêmio é reconhecer que estamos no caminho certo e nos dá ainda mais motivação para continuar e ampliar esse trabalho”, afirma.
Os Cinco Básicos
Os Cinco Básicos são cinco princípios de cuidado baseados em evidências científicas que ajudam a promover o desenvolvimento social, emocional e cognitivo das crianças nos primeiros anos de vida. O movimento surgiu nos Estados Unidos, a partir de uma iniciativa ligada à Achievement Gap Initiative, da Universidade Harvard, fundada pelo professor Ronald Ferguson. No Brasil, a proposta foi trazida por Maria Rodrigues, fundadora do Cinco Básicos Brasil.
Os princípios são: dar muito amor e controlar o estresse; falar, cantar e apontar; contar, agrupar e comparar; explorar por meio do movimento e da brincadeira; e ler e discutir histórias. A proposta oferece orientações acessíveis para que pais e cuidadores incorporem estímulos ao desenvolvimento infantil nas atividades do dia a dia.
Guarujá é pioneiro na implementação
Guarujá foi a primeira cidade brasileira a integrar a rede Cinco Básicos. Segundo Rodrigues, desde 2021 a Associação dos Cinco Básicos Brasil (ACBB) mantém um termo de cooperação com o município. Atualmente, a iniciativa está presente em algumas unidades de saúde, em todas as unidades de Educação Infantil e nos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) da cidade.
A atuação busca fortalecer uma rede de apoio às famílias, envolvendo serviços públicos, universidades e comunidades. Nesse contexto, a parceria com a Unoeste contribui para que os futuros médicos aprendam a orientar os cuidadores sobre a importância das interações cotidianas para o desenvolvimento infantil.
“Cuidar da saúde de uma criança passa por apoiar as pessoas que cuidam dela todos os dias”, destaca a fundadora. Para ela, os princípios e materiais do projeto ajudam os profissionais a comunicar a ciência de maneira acessível e a mostrar como conversar, cantar, brincar, acolher e compartilhar histórias podem favorecer o desenvolvimento das crianças.
Estudantes orientam gestantes no pré-natal
Antes de realizar as ações nas unidades de saúde, os acadêmicos participam de uma capacitação sobre desenvolvimento cerebral na primeira infância, importância das interações precoces e estratégias de comunicação com gestantes na Atenção Primária à Saúde. Depois da formação, os estudantes conduzem atividades educativas sob supervisão docente.
Durante as abordagens, eles conversam com gestantes enquanto aguardam o atendimento pré-natal, apresentam os Cinco Básicos, esclarecem dúvidas e distribuem materiais informativos. As orientações ajudam a demonstrar como atitudes simples podem fortalecer vínculos e estimular o desenvolvimento infantil desde os primeiros momentos da vida.
Para a professora Maíra, incluir esse conteúdo na formação médica é uma oportunidade de ampliar a atenção à promoção da saúde e à prevenção. “O desenvolvimento infantil ainda recebe menos atenção do que deveria na formação médica, especialmente quando pensamos em promoção da saúde e prevenção. Muitas vezes o foco fica na identificação de problemas já instalados, quando existe uma enorme oportunidade de atuar antes, orientando as famílias desde a gestação”, explica.
Ela conta que a avaliação da capacitação mostrou melhora no conhecimento da maioria dos estudantes. Também chamou sua atenção o reconhecimento, pelos próprios acadêmicos, de lacunas na compreensão do desenvolvimento infantil e da importância das orientações compartilhadas com as famílias.
Formação que pode alcançar outras famílias
A experiência permite que os estudantes compreendam o papel educativo dos profissionais de saúde e aprendam a conversar com as famílias de forma acolhedora. Para a docente, esse aprendizado amplia a compreensão sobre o cuidado médico, especialmente na Atenção Primária, em que as consultas também podem ser oportunidades para apoiar o desenvolvimento da criança.
A aluna Julia Louise Silveira de Arruda, presidente da Liga Acadêmica de Saúde Coletiva (LASC), relata que a experiência ampliou sua compreensão sobre a importância das interações entre crianças e cuidadores. “Foi muito gratificante perceber que a maioria demonstrava vontade de levar aquilo para o dia a dia.”
A expectativa é que os conhecimentos adquiridos durante o projeto acompanhem os estudantes ao longo da vida profissional e cheguem a outras famílias. Assim, a iniciativa une extensão universitária, educação em saúde e formação médica para fortalecer o cuidado e a promoção do desenvolvimento infantil desde a gestação.
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Notícia disponibilizada pela Assessoria de Imprensa da Unoeste