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Sinais durante exercícios podem indicar problemas cardíacos

Falta de ar desproporcional, desmaios, palpitações e dor no peito durante esforços estão entre os sinais que merecem avaliação especializada


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Foto: Ector Gervasoni Criança passa por exame cardiológico em clínica médica
Cardiologista pediátrica orienta sobre sinais de alerta, exames e hábitos que contribuem para a prevenção de doenças cardiovasculares desde a infância

A prática de atividades físicas é fundamental para o desenvolvimento saudável de crianças e adolescentes, mas alguns sinais apresentados durante os exercícios podem indicar a necessidade de uma avaliação médica. Falta de ar ou cansaço desproporcional ao esforço, dor no peito, palpitações, tontura e desmaio, especialmente durante a prática esportiva, estão entre os sintomas que merecem atenção quanto à saúde do coração.

A orientação é da cardiologista pediátrica e professora do curso de Medicina da Universidade do Oeste Paulista (Unoeste), Dra. Jessica Cândida de Oliveira Garcia. Segundo a especialista, a avaliação clínica é o principal ponto de partida para identificar possíveis alterações cardíacas e definir quando exames complementares são necessários.

As cardiopatias congênitas estão entre as alterações cardíacas mais frequentes na infância. São modificações na estrutura ou no funcionamento do coração presentes desde o nascimento e que podem apresentar diferentes níveis de complexidade. “As cardiopatias congênitas são as malformações congênitas mais frequentes, acometendo aproximadamente 1 em cada 100 nascidos vivos e podem variar desde alterações simples, que não causam repercussões, até cardiopatias mais complexas que precisam de acompanhamento e tratamento especializado”, explica a médica.

Alterações podem surgir ao longo da vida

Entre as cardiopatias congênitas mais encontradas estão a comunicação interventricular, comunicação interatrial, persistência do canal arterial, estenose pulmonar e coarctação da aorta. Entretanto, nem toda doença cardíaca identificada durante a infância ou adolescência está presente desde o nascimento.

Arritmias, miocardites, doenças do músculo cardíaco e alterações adquiridas das válvulas podem surgir ao longo da vida. Na adolescência, também ganham importância fatores de risco cardiovasculares, como obesidade, hipertensão, colesterol elevado e sedentarismo.

A atenção aos sinais apresentados pela criança ajuda a identificar situações que precisam de investigação. Em bebês, alguns indicativos são dificuldade ou cansaço durante as mamadas, sudorese excessiva, respiração acelerada, baixo ganho de peso e episódios de coloração arroxeada.

Em crianças maiores e adolescentes, a recomendação é observar principalmente sintomas persistentes ou relacionados ao esforço físico. “Devemos ficar atentos a falta de ar ou cansaço desproporcional aos esforços, dor no peito durante atividade física, palpitações, tontura ou desmaio, especialmente durante exercícios”, alerta Jessica.

Exames são definidos após avaliação

Apesar da importância dos exames cardiológicos, a especialista ressalta que não existe uma bateria de testes que deva ser realizada rotineiramente por todas as crianças. A investigação começa com uma boa avaliação clínica, incluindo histórico detalhado e exame físico.

Foto: Cedida Cardiologista pediátrica e professora da Medicina, Dra. Jessica Cândida de Oliveira Garcia destaca a importância da avaliação clínica infantil
Cardiologista pediátrica e professora da Medicina, Dra. Jessica Cândida de Oliveira Garcia destaca a importância da avaliação clínica infantil
Quando há indicação, o eletrocardiograma pode auxiliar na identificação de alterações do ritmo e da atividade elétrica do coração. O exame é especialmente útil diante de sintomas como palpitações e síncope, suspeita de arritmias ou determinadas doenças cardíacas.

A radiografia de tórax também pode contribuir para a investigação, permitindo avaliar aspectos como o tamanho do coração e a trama vascular pulmonar. Já o ecocardiograma, realizado por meio de ultrassom, possibilita analisar a anatomia do coração, suas cavidades, válvulas e funcionamento, sendo especialmente importante quando existe suspeita de uma alteração estrutural.

O teste ergométrico, por sua vez, avalia o comportamento do coração durante o esforço. A indicação depende da idade, dos sintomas e das condições clínicas do paciente. Por isso, não é necessário que toda criança que pratique esporte seja submetida rotineiramente ao exame.

Esporte deve ser incentivado

A prática esportiva continua sendo uma importante aliada da saúde cardiovascular. Para a cardiologista pediátrica, não se deve criar a ideia de que crianças saudáveis precisam realizar uma série de exames antes de começar uma atividade física.

“Não devemos criar a ideia de que toda criança saudável precisa fazer uma bateria de exames antes de começar um esporte. O mais importante é uma avaliação clínica adequada, especialmente antes da prática esportiva competitiva ou de alta intensidade”, afirma.

O acompanhamento cardiológico ganha maior importância quando há sintomas durante os exercícios, alterações identificadas no exame físico ou no eletrocardiograma ou histórico familiar de morte súbita ou doenças cardíacas hereditárias.

Prevenção começa na infância

Além da identificação precoce de alterações cardíacas, os cuidados com a saúde cardiovascular devem começar ainda na infância. Alimentação equilibrada, atividade física, sono adequado e controle do peso estão entre os fatores que contribuem para a prevenção.

A especialista recomenda priorizar frutas, verduras, legumes, grãos e alimentos minimamente processados, reduzindo o consumo excessivo de açúcar, sal e ultraprocessados. O acompanhamento da pressão arterial e dos níveis de colesterol também integra os cuidados preventivos.

Mais do que estabelecer regras para as crianças, a família tem papel fundamental nesse processo. “Crianças aprendem muito mais pelo exemplo do que pelo discurso”, destaca Jessica.

Por isso, hábitos adotados pelos adultos também ajudam a construir uma rotina mais saudável para os filhos, desde a alimentação até a prática de atividades físicas e a organização do sono.

Diagnóstico precoce traz mais segurança

A atenção dos pais e responsáveis aos sinais apresentados pelas crianças é importante, mas não deve significar preocupação excessiva. O acompanhamento médico permite diferenciar manifestações comuns de situações que realmente precisam de investigação.

“Quando existe algum sintoma, alteração no exame físico ou histórico familiar relevante, não devemos ignorar. O diagnóstico precoce faz uma grande diferença no tratamento e na qualidade de vida da criança”, orienta a professora de Cardiologia Pediátrica.

Para Jessica, o acompanhamento também pode proporcionar tranquilidade às famílias. “Uma das maiores recompensas do nosso trabalho é justamente poder acompanhar uma criança, identificar aquilo que precisa ser cuidado e, muitas vezes, devolver à família a tranquilidade de saber que está tudo bem”, conclui.

Notícia disponibilizada pela Assessoria de Imprensa da Unoeste

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