Unoeste recebe 4º Treinamento de IA em Medicina do Cremesp
Evento reuniu profissionais e estudantes para discutir aplicações, desafios e limites da inteligência artificial na prática médica
No sábado (19), a Unoeste recebeu a 4ª edição do Treinamento de Inteligência Artificial em Medicina do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), para discutir as possibilidades, os desafios e os limites dessa tecnologia. O evento foi realizado no Teatro César Cava, no campus 1 da Unoeste, e reuniu médicos, acadêmicos e profissionais ligados à área da saúde.
Para o delegado superintendente da Delegacia Regional do Cremesp em Presidente Prudente e coordenador do internato do campus de Presidente Prudente, Dr. Fernando Antonio Mourão Valejo, a realização do encontro e a escolha do tema também contribui para aproximar diferentes gerações de médicos e estudantes, já que a inteligência artificial representa uma novidade para profissionais em diferentes momentos da carreira.
“É a quarta edição de um evento que trata de um tema extremamente novo e recente, que é a inteligência artificial dentro da Medicina. Ele vem unir todas as gerações, porque, desde o médico mais velho até o médico mais novo, isso é uma novidade”, afirma.
Tecnologia sem perder o olhar humano
Entre os destaques da programação esteve a participação do especialista em tecnologia Juliano Kimura, que apresentou aos participantes avanços recentes da inteligência artificial, suas aplicações e os impactos provocados pela velocidade de evolução dessas ferramentas.
“O principal ponto é que a evolução da IA está sendo algo nunca visto anteriormente. A velocidade dessa evolução é algo inédito”, destacou Juliano.
Para ele, a transformação provocada pela tecnologia exige uma nova maneira de pensar e de compreender as relações profissionais. “O que apresentei aos médicos hoje é todo esse cenário disruptivo e novo, que requer novas formas de pensar, novos modelos de negócio e uma reflexão profunda sobre como vamos nos adaptar a tudo isso”, pontuou.
O especialista também chamou a atenção para os efeitos da popularização da IA em diferentes setores, inclusive na comunicação e nas redes sociais. Na avaliação dele, o acesso ampliado às ferramentas pode provocar uma banalização de determinadas atividades, mas também democratiza possibilidades antes restritas a quem tinha recursos para contratar profissionais especializados. “Não vejo isso de uma maneira tão preto no branco. Entendo que vamos ter que passar por uma grande transformação e trazer uma reflexão”, afirmou.
Na Medicina, entretanto, o avanço tecnológico precisa caminhar ao lado da responsabilidade e da valorização das relações humanas. Essa foi uma das reflexões apresentadas pelo Dr. Valejo durante o encontro. “Sabemos que a inteligência artificial otimiza, ajuda e contribui para a execução de tarefas do dia a dia. Mas acredito que, na saúde, primordialmente, o humano é o centro do atendimento e da história”, ressaltou.
Para ele, a IA na Medicina deve ser utilizada como ferramenta de apoio, sem substituir a essência da relação entre médico e paciente. “A essência da Medicina é ter o paciente e o médico frente a frente, com aquele contato humano. Acho que nenhuma tecnologia vai tirar isso. A tecnologia é fundamental e importante quando estruturada e aplicada com ética”, completou.
Universidade como espaço para inovação
A realização do treinamento na Unoeste também reforçou a aproximação entre o Cremesp, a formação médica e a universidade. Para a Dra. Nilva Galli, a presença do Conselho na instituição é especialmente importante por aproximar os estudantes das discussões que envolvem o futuro da profissão.
“Tê-los aqui, trazendo toda essa parte de inovação, que é a inteligência artificial, para os nossos estudantes, é algo extremamente importante”, destacou.
A docente ressaltou ainda que a universidade deve acompanhar as transformações tecnológicas para que o ensino dialogue com a realidade dos estudantes. “Não podemos esquecer que a casa do saber é a universidade. Então, temos sempre que acolher a grande importância desse vínculo com as nossas classes representantes e com a Faculdade de Medicina”, afirmou.
Ela acrescentou que iniciativas tecnológicas desenvolvidas pela Unoeste contribuem para potencializar a formação acadêmica. “A Unoeste, como está sempre na vanguarda no ensino, não poderia deixar de oferecer toda essa tecnologia para eles”.
A participação expressiva dos acadêmicos no treinamento também chamou a atenção. Para a docente, o interesse demonstra que os futuros médicos querem compreender de que maneira a inteligência artificial estará presente em sua formação e, posteriormente, na prática profissional. “Eles já são tecnológicos e querem saber agora de que maneira a inteligência artificial vai participar da formação deles enquanto médicos”, afirmou.
Formação médica diante de uma nova realidade
O acadêmico do 10º termo, Marcelo Garrido participou do evento e destacou a importância de ter contato, ainda durante a graduação, com discussões sobre os limites e as possibilidades da inteligência artificial.
“Ter a oportunidade de vir a um evento em que os médicos ensinam para a gente os limites, a introdução, as novidades e o próprio domínio que temos que ter é uma oportunidade realmente muito grande e muito valiosa para o nosso futuro”, afirmou.
Para o estudante, o acesso às tecnologias disponíveis na universidade amplia as possibilidades de formação e pesquisa. Ele também considera que a geração atual tem como diferencial justamente a facilidade de acesso à informação e aos recursos tecnológicos.
“Acho que uma das vantagens da nossa geração é exatamente ter esse leque de oportunidades. Quando esse acesso é facilitado pela universidade, é algo que potencializa ainda mais quem podemos ser no quesito da nossa formação e da nossa construção como bons profissionais”, destacou.
IA transforma o presente e aponta para o futuro
O presidente do Cremesp, Dr. Angelo Vattimo ressaltou que a interiorização das atividades do Conselho faz parte da proposta de levar discussões relevantes às principais cidades paulistas. “O Conselho não se restringe apenas à capital. Isso já foi implementado na gestão: os eventos precisam ser levados a todas as principais cidades do estado”, explicou.
Ele também destacou a dimensão da transformação provocada pela inteligência artificial na área médica. “É, vamos dizer, uma revolução na Medicina. Todo mundo quer saber o que vai ser, como vai ser o futuro. Então, esse é o nosso objetivo: mostrar e desvendar os segredos da IA”, declarou.
A escolha da Unoeste para sediar o treinamento também recebeu elogios. Em sua primeira visita ao campus, o Dr. Angelo destacou a estrutura disponibilizada para o encontro. “O teatro da Unoeste atende muito bem. Parabenizo a instituição pela sua estrutura e colaboração”, afirmou.
O evento contou ainda com as participações dos doutores Augusto Salomon, Angelo Vattimo, Eloisa Ferreira de Almeida Costa e Elzo Garcia Júnior que compuseram a mesa de abertura ao lado do Dr. Valejo e Dr. Ângelo. Entre os palestrantes, Augusto Salomon, Dr. Marcelo Menino, Dr. Denis Valter Calazans Loma e o especialista Juliano Kimura.
Notícia disponibilizada pela Assessoria de Imprensa da Unoeste