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Walter Ferreira físico do caso Césio-137 palestra na Unoeste

Especialista da CNEN relembrou atuação no maior acidente radiológico do Brasil em palestra na Unoeste


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Foto: Ector Gervsasoni Walter Ferreira físico do caso Césio-137 palestra na Unoeste
O físico Walter Mendes Ferreira falou sobre “Emergência Radiotiva – trajetória profissional e atuação no Acidente com Césio-137 em Goiânia”

A noite de quarta-feira (20) foi marcada por ciência, memória histórica e reflexão sobre responsabilidade pública no Salão Torre de Cristal, no campus 2 da Unoeste, em Presidente Prudente. O físico e especialista em proteção radiológica Walter Mendes Ferreira, responsável por identificar o acidente com o Césio-137 em Goiânia, em 1987, ministrou a palestra “Emergência Radioativa – trajetória profissional e atuação no Acidente com Césio-137 em Goiânia” para estudantes, professores e convidados.

Atual chefe da Divisão de Emergências Radiológicas da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), Walter compartilhou detalhes inéditos sobre a atuação da equipe técnica que trabalhou na contenção daquele que é considerado um dos maiores acidentes radiológicos do mundo.

Durante a apresentação, o especialista relembrou os bastidores da tragédia que ocorreu em setembro de 1987, quando um aparelho de radioterapia abandonado foi retirado das ruínas de um instituto radiológico em Goiânia. Sem conhecimento dos riscos, pessoas manipularam a cápsula contendo Césio-137, material radioativo semelhante a um pó azulado brilhante, provocando mortes, contaminação em massa e impactos ambientais duradouros.

O tema voltou recentemente ao centro das discussões após o sucesso da série “Emergência Radioativa”, da Netflix, inspirada em fatos reais. Walter Mendes Ferreira foi a principal inspiração para o personagem interpretado pelo ator Johnny Massaro.

“Trouxe uma apresentação sobre o acidente radiológico que ocorreu em Goiânia em 1987, que hoje é um sucesso mundial por causa da série da Netflix. A série praticamente revela a ciência por trás daquele momento e mostra as ações da Comissão Nacional de Energia Nuclear durante a emergência”, destacou Walter.

Segundo ele, o caso ainda serve como referência internacional em protocolos de emergência nuclear e radiológica. “O país hoje é uma referência mundial nesse tipo de acidente. Foi um acidente extremamente sério, considerado o quinto maior acidente com material radioativo do mundo”, afirmou.

Tecnologia nuclear exige responsabilidade

Ao longo da palestra, Walter Ferreira reforçou que o acidente também trouxe importantes avanços para a segurança radiológica brasileira. Ele ressaltou que o uso da tecnologia nuclear é indispensável atualmente, especialmente na medicina.

“A ciência hoje, principalmente na área médica, não vive mais sem material radioativo. Qualquer terapia ou diagnóstico de precisão utiliza esse tipo de tecnologia. Mas isso exige cuidados rigorosos”, explicou.

Foto: Ector Gervasoni Patrícia Antunes, Walter Mendes, Vânia Nilva, Adilson Gulefi e Dennis Pereira
Patrícia Antunes, Walter Mendes, Vânia Nilva, Adilson Gulefi e Dennis Pereira

O físico também fez uma comparação entre os desafios enfrentados em 1987 e os recursos disponíveis atualmente, como inteligência artificial e drones.

“Hoje você teria drone, inteligência artificial, equipamentos muito mais modernos para identificar áreas contaminadas. Na época, nós precisávamos chegar muito próximos das áreas para medir a radiação e recalcular tudo manualmente para evitar novas contaminações”, relembrou.

Trabalho multidisciplinar salvou vidas

Um dos pontos centrais abordados durante a palestra foi a importância do trabalho coletivo entre diferentes áreas profissionais. Segundo Walter, mais de 240 profissionais da CNEN atuaram diretamente na operação, além de outros 133 especialistas de instituições parceiras.

“Tivemos médicos, engenheiros, químicos, físicos, jornalistas, militares e equipes de descontaminação. Foi um trabalho totalmente multidisciplinar”, contou.

Ele ainda destacou a atuação de instituições como o Hospital Naval Marcílio Dias, a Força Aérea Brasileira e o Exército Brasileiro no processo de descontaminação e atendimento às vítimas.

“O acidente mostrou que nenhuma profissão trabalha sozinha. Foi uma construção coletiva que salvou vidas e se tornou referência para o mundo”, enfatizou.

Retorno emocionante a Presidente Prudente

A palestra na Unoeste também teve um significado pessoal para o físico. Walter relembrou sua ligação afetiva com Presidente Prudente, cidade onde viveu parte da juventude.

“Minha família está radicada aqui desde 1969. Eu estudei em Presidente Prudente, fiz meu ginásio e colegial aqui. Então, existe um fundo sentimental muito forte nesse retorno”, contou.

Segundo ele, aceitar o convite para palestrar na Unoeste foi uma forma de retribuir à cidade que participou de sua formação. “A universidade é o centro que irradia ideias. Não seria adequado eu ficar de fora de um local que praticamente me acolheu há quase 60 anos”, completou.

Universidade promove reflexão além da sala de aula

A professora da Faculdade de Engenharias e Arquitetura e Urbanismo da Unoeste, Dra. Patricia Alexandra Antunes, explicou que o convite surgiu a partir de um contato feito pela irmã de Walter, Vânia Nilva Ferreira.

“Nós prontamente aceitamos. Sabíamos da relevância do tema e da importância de trazer aos alunos uma pessoa que participou de um momento histórico tão importante para o Brasil e para o mundo”, afirmou.

Para Patricia, a palestra amplia a formação acadêmica ao conectar teoria e realidade. “Muitas vezes, o conteúdo fica abstrato dentro da sala de aula. Trazer alguém que viveu tudo isso permite aos alunos compreenderem a dimensão humana, científica e social do tema”, destacou.

Ela também ressaltou a importância da formação interdisciplinar para os futuros profissionais.

“Hoje não existe mais um engenheiro isolado dentro de um escritório. O mercado exige profissionais preparados para trabalhar coletivamente, dialogar com outras áreas e compreender os impactos sociais e ambientais das suas decisões”, pontuou.

Entre os presentes, estiveram alunos, professores, convidados e público externo, além do pró-reitor de Pesquisa, Pós-graduação e Extensão da Unoeste, Dr. Adilson Eduardo Guelfi e o coordenador de criação do Departamento de Marketing da universidade, Dennis Pereira. 

Memória histórica para novas gerações

O professor visitante Júlio César Barrios destacou o impacto emocional e educativo do encontro, especialmente para os estudantes mais jovens. “Eu tinha 16 anos quando aconteceu o acidente. Aquilo marcou minha geração profundamente. Agora, com a série da Netflix, os alunos começaram a se interessar mais pelo tema”, comentou.

Segundo ele, eventos como esse ajudam a aproximar diferentes gerações por meio do conhecimento. “Hoje os jovens têm acesso à tecnologia, inteligência artificial e muitos recursos. Mas naquela época tudo dependia muito do conhecimento técnico, da capacidade humana e da coragem daqueles profissionais. Isso precisa ser valorizado”, concluiu.

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Notícia disponibilizada pela Assessoria de Imprensa da Unoeste

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