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Biofábrica encerra ciclo e sinaliza vitória contra a dengue

Considerando o ano de 2025 com cerca de 30 mil casos e 33 até este momento de 2026, a redução é de 99,89% 


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Foto: João Paulo Barbosa Grupo formado por pesquisadores, gestores e representantes da saúde pública reunidos em evento institucional.
Edilson, Creste, Adriana, Euribel, Elaine e Bruno

Para esta sexta-feira (31) está previsto o fechamento da biofábrica municipal de wolbitos, o Aedes aegypti criado pelo Método Wolbachia e que onde é espalhado dá adeus à dengue, chikungunya, zika vírus e febre amarela. O projeto inicial de seis meses e ampliado por mais seis, sinaliza resultados extremamente positivos. Os dados específicos sobre o método ainda serão apurados, mas fato é que Presidente Prudente deixou para trás o título de uma das cidades mais endêmicas do Brasil.

Nas últimas três décadas o cenário alcançou dados alarmantes e que não estão distantes, já que no ano passado foram cerca de 30 mil casos de testagem positiva, incluindo 24 mortes. Agora em 2026, até este momento, conforme a secretária municipal de Saúde, Adriana Vitória, foram registrados 33 casos e nenhum óbito. Uma redução de 99,89%. Porém, conforme pesquisadores científicos locais os resultados precisam ser analisados em contexto mais amplo. Isso leva um tempo.

Entre outras variantes de combate ao “mosquito da dengue” estão as ações da saúde pública municipal de zeladoria, incluindo a melhoria na rotina dos serviços e o mutirão de limpeza que abrangeu todos os bairros e coletou 16 toneladas de materiais inservíveis (exemplo: móveis) e lixo descartado irregularmente. Quantidade transportada em 2.134 viagens de caminhões. Ainda que os dados não estejam fechados, os resultados sinalizados são comemorados no setor público e da pesquisa científica. 

Exemplo para o Brasil

Em seu terceiro mandado, depois da cidade viver oito anos de dois outros mandatários, o prefeito Milton Carlos de Mello ‘Tupã’ afirma ser muito bom que Prudente seja exemplo para outros municípios do Brasil. Credita a solução ao trabalho em parcerias, citando que políticas públicas não são isoladas, são feitas com somatórias de esforços. Dentre os parceiros, destaca a Unoeste por caminhar com a administração municipal em benefício da população de Prudente.  

 Adriana diz que a implantação do método em Prudente começou como um sonho e transformou-se em uma grande oportunidade, em 2024; em sólida parceria entre o Ministério da Saúde, Governo do Estado de São Paulo, World Mosquito Program (WMP) e a Prefeitura, sendo a Unoeste responsável pela fabricação e implantação do monitoramento por ovitrampas, que são armadilhas de alta sensibilidade para identificar precocemente a presença do mosquito.

Além disso, serve para monitorar a densidade com maior precisão, as ações de controle vetorial.  Serviço que consistiu em uma espécie de pré-requisito para a instalação da biofábrica em Prudente, instalada no prédio, que recebeu adequação para tal fim, que anteriormente abrigava atendimentos de fisioterapia, no jardim Everest, nas proximidades da Paróquia São Francisco de Assis. Armadilhas que foram o ponto de partida para o uso do método, contribuindo com ações preventivas mais eficientes e baseadas em evidências científicas.

100% do município 

“Fomos o primeiro município do Estado de São Paulo a implantar essa tecnologia inovadora de enfrentamento à dengue e às demais arboviroses, demonstrando que ciência, planejamento e cooperação são capazes de transformar a saúde pública”, diz a secretária municipal de Saúde. Inicialmente, a fábrica funcionaria por seis meses, para espalhar wolbitos em bairros de alta incidência da dengue, nos quais foram registrados casos de mortes.  O prazo foi ampliado em seis meses, para atender 100% do município.

Os mosquitos fabricados carregam uma bactéria natural que impede a multiplicação dos vírus dentro do mosquito Aedes aegypti, contribuindo para reduzir a transmissão dengue, chikungunya, zika vírus e febre amarela. Os mais seis meses de funcionamento da biofábrica foram articulados politicamente pelo prefeito Tupã junto aos governos federal e estadual. Para Adriana, o Método Wolbachia, representa a certeza de que a junção de conhecimento, gestão e cooperação é capaz de mudar a realidade e proteger a população.

O médico infectologista Dr. Luiz Euribel Prestes Carneiro, pesquisador vinculado aos programas de pós-graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional (PPGMadre) e Ciências da Saúde da Unoeste, comenta que a parceria envolvendo a universidade com a Biofábrica Wolbachia representa um modelo estratégico de integração entre pesquisa científica, inovação tecnológica e saúde pública.

Controle de doenças 

“Essa colaboração fortalece a produção de conhecimento aplicado, permitindo que descobertas desenvolvidas no ambiente acadêmico sejam rapidamente incorporadas às políticas públicas e às ações de vigilância e controle de doenças transmitidas por vetores em especial dengue, chikungunya, zika vírus e febre amarela”, pontua o professor cuja produção científica tem sido levada para vários países.

A pesquisadora Dr. Alba Regina Azevedo Arana diz que pesquisa de doutorado desenvolvida por Elaine Aparecida Maldonado Bertacco, no âmbito do PPGMadre junto a Biofábrica Wolbachia, evidencia a relevância da integração entre universidade, pesquisa aplicada e inovação em saúde pública

“A investigação contribui para a avaliação científica da implementação da metodologia Wolbachia no município, estratégia inovadora para o controle das arboviroses, produzindo evidências que subsidiam o aprimoramento das políticas públicas de enfrentamento das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti”, afirma.

Benefícios à população 

“Além de fortalecer a produção de conhecimento científico, a pesquisa demonstra a aplicação prática dos resultados gerados na universidade, convertendo evidências acadêmicas em benefícios diretos para a população, ao apoiar ações voltadas à redução da transmissão de dengue, zika e chikungunya e à promoção da saúde coletiva”, pontua.

A produção da pesquisa no PPGMadre tem o caráter interinstitucional, junto ao professor pesquisador Dr. Edilson Ferreira Flores, da Faculdade de Ciência e Tecnologia, campus da Universidade Estadual Paulista em Prudente (FCT/Unesp). Ele diz que o município enfrenta episódios frequentes de dengue desde 1996, vem intensificando o combate à doença por meio da integração entre análises estatísticas espaciais e a liberação de mosquitos Aedes aegypti infectados com a bactéria Wolbachia.

“Enquanto o mapeamento espacial permite identificar áreas de maior risco e direcionar de forma mais eficiente as ações de vigilância epidemiológica, a Wolbachia reduz a capacidade de transmissão dos vírus da dengue, zika e chikungunya pelos mosquitos. O estudo em desenvolvimento no município busca correlacionar a presença desses mosquitos com a redução dos casos e verificar possíveis alterações nos padrões espaciais da doença, podendo consolidar Presidente Prudente como referência no gerenciamento moderno de arboviroses”, diz o Dr. Edilson.

Impacto social 

Elaine Bertacco diz que sua pesquisa no PPGMadre demonstra a importância da integração entre universidade, pesquisa e gestão pública na produção de conhecimento com impacto social. “Ao acompanhar a implantação do Método Wolbachia em Prudente, conduzida pelo World Mosquito Program (WMP) Brasil, o estudo evidencia como a pesquisa científica pode subsidiar estratégias inovadoras para o controle das arboviroses, fortalecendo a vigilância em saúde e contribuindo diretamente para a melhoria da qualidade de vida da população”, destaca. 

“Esse trabalho reforça o papel da universidade na transformação do conhecimento científico em soluções aplicáveis aos desafios da sociedade, ao mesmo tempo em que destaca a relevância das parcerias entre instituições acadêmicas, órgãos públicos e iniciativas internacionais de saúde para o enfrentamento de problemas complexos que afetam a população”, comenta Elaine.

O também doutorando no PPGMadre, Bruno de Lima Melo, integra a equipe responsável pelo estudo sobre a implantação do Método Wolbachia em Prudente e considera que a pesquisa representa uma importante contribuição à saúde pública e ao fortalecimento da ciência aplicada; e também a convergência entre rigor científico, inovação tecnológica e compromisso social

Relevância da articulação 

“Mais do que avaliar indicadores epidemiológicos, este estudo evidencia o potencial transformador da pesquisa interdisciplinar ao integrar epidemiologia, análise espacial, vigilância em saúde e sustentabilidade ambiental na compreensão da dinâmica de transmissão da dengue”, diz Bruno.

 “Os resultados obtidos reforçam a relevância da articulação entre universidades, instituições de pesquisa, gestores públicos e organismos internacionais na construção de soluções inovadoras para desafios complexos da saúde coletiva, demonstrando que a ciência, quando orientada pelas demandas da sociedade, constitui um instrumento estratégico para promover qualidade de vida, reduzir desigualdades e subsidiar decisões baseadas em evidências”, afirma.

Para pró-reitor de Pesquisa, Pós-graduação e Extensão da Unoeste, Dr. Adilson Eduardo Guelfi, apesar de outras ações, a Método Wolbachia é o principal fator que contribuiu para os resultados tão significativos. “Isso demonstra que, quando é aplicada ciência (pesquisa), os resultados são promissores, impactando na saúde, na redução de custos e de mortes, no bem-estar e na condição de vida”, diz.

Na avaliação do pró-reitor Acadêmico, Dr. José Eduardo Creste, que contribuiu para abrir as portas da serralheria da Unoeste fabricar as ovitrampas, o projeto da biofábrica se apresentou como significativo, possibilitando transformar não somente o presente, mas o futuro também. O estudo da Elaine, que tem o respaldo em equipe e vem da experiência de servidora municipal que coordenou a Vigilância Epidemiológica, se insere nas muitas contribuições produzidas na Unoeste em benefício de toda população

Notícia disponibilizada pela Assessoria de Imprensa da Unoeste

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