Palestra debate tecnologia e educação transformadora
A inteligência artificial (IA) e a automação transformam o mercado de trabalho e a maneira de aprender. Nesse cenário, desenvolver habilidades humanas, como pensamento crítico, criatividade e capacidade de lidar com frustrações, torna-se fundamental para a educação transformadora.
Essa foi uma das reflexões apresentadas pelo professor doutor Mohamad Ali Abdul Rahim na palestra “Entre algoritmos e afetos: o desafio da formação universitária contemporânea”, realizada no Auditório Ana Cardoso, no campus da Unoeste em Guarujá, na terça-feira (20).
A atividade integrou a programação do 31º Encontro Nacional de Ensino, Pesquisa e Extensão (Enepe), evento promovido pela Unoeste entre os dias 19 e 22 de outubro, com o tema “Formação universitária para um mundo em transformação”. O encontro reuniu estudantes, professores e profissionais para compartilhar trabalhos, discutir ideias e conhecer diferentes perspectivas científicas e profissionais, em uma programação com palestras, conferências, mesas-redondas, fóruns e apresentações de pesquisas.
Psicólogo, professor e doutor pela Universidade de São Paulo (USP), Mohamad Ali Abdul Rahim também atua na gestão pública, como secretário municipal de Educação de Guarujá. Em sua apresentação, propôs uma reflexão sobre como a tecnologia e a dimensão afetiva podem atuar de forma complementar na construção do conhecimento.
Tecnologia e as transformações do trabalho
Ao abordar as mudanças no mercado profissional, Rahim destacou que a automação não significa apenas a substituição de atividades existentes, mas também a transformação das ocupações e das competências exigidas dos trabalhadores.
Nesse contexto, habilidades como criatividade, resiliência, flexibilidade e capacidade de adaptação ganham relevância. Segundo o professor, essas competências se desenvolvem nas relações e nas experiências vividas, e não apenas pelo acesso a ferramentas digitais.
“Quanto mais tecnológicos nós nos tornarmos, maior será a necessidade de nos relacionarmos para desenvolver estas habilidades”, afirmou o palestrante.
A reflexão também alcança a universidade, responsável por preparar os estudantes para uma realidade profissional em constante transformação. Além do domínio técnico, a formação exige autonomia intelectual, capacidade de questionamento e disposição para aprender com diferentes experiências.
Aprender além das respostas prontas
Outro ponto abordado foi o efeito da rapidez das respostas digitais sobre o processo de aprendizagem. Para Mohamad, a facilidade de obter informações imediatamente pode reduzir o tempo dedicado à reflexão e à investigação de dúvidas.
O professor chamou a atenção para quatro efeitos dessa lógica sobre quem aprende: a fragmentação da atenção, a redução do intervalo entre uma pergunta e uma resposta, a repetição de conteúdos personalizados e a valorização do desempenho como parte da identidade.
A personalização dos conteúdos, por exemplo, pode limitar o contato com ideias diferentes daquelas que o indivíduo já conhece. Por isso, o palestrante defendeu a importância de desenvolver uma visão mais integrada da realidade, capaz de reconhecer diferenças e lidar com situações que não oferecem respostas imediatas.
Nesse processo, tolerar a incerteza é parte da aprendizagem. “Para que eu seja capaz de fazer perguntas, eu preciso tolerar a ideia do não saber”, afirmou durante a apresentação.
A reflexão reforça a importância de utilizar a IA como recurso de apoio, sem transferir integralmente às ferramentas tecnológicas a tarefa de investigar, avaliar informações e construir conhecimento.
Algoritmos e afetos na formação universitária
Ao explicar o título da palestra, Mohamad apresentou duas lógicas que, em sua perspectiva, precisam dialogar. A lógica dos algoritmos está associada à resposta, à previsão, à otimização, à velocidade, à personalização e ao desempenho. Já a dimensão afetiva envolve a elaboração das experiências, o tempo de maturação, a abertura ao diferente e a construção de conhecimento a partir das relações.
O professor recorreu a conceitos da psicanálise para discutir como a frustração e a experiência com o outro participam do desenvolvimento do pensamento. Nessa perspectiva, aprender não significa apenas acumular informações, mas também refletir sobre elas, formular perguntas e compreender diferentes pontos de vista.
A proposta se relaciona às três dimensões da atuação universitária — ensino, pesquisa e extensão —, que pressupõem a troca de conhecimentos e a interação com a sociedade.
Ao longo da palestra, o professor ressaltou que o avanço tecnológico não elimina a necessidade de experiências humanas. O desafio da formação contemporânea, portanto, está em integrar os recursos digitais ao desenvolvimento de competências que permitam aos estudantes pensar criticamente, aprender com a experiência e atuar em um mundo em transformação.
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Notícia disponibilizada pela Assessoria de Imprensa da Unoeste